20 fevereiro 2006

É mentira?

A facilidade com que se pode forjar uma prova testemunhal é uma das grandes deficiências no sistema processual para a apuração da verdade dos fatos. O cara chega na audiência repete o texto que lhe ensinaram e na maioria das vezes fica difícil demonstrar que está mentindo. Na justiça trabalhista é uma constante, mas os juízes já são mais tarimbados e precavidos, ocorrendo de alguns mentirosos saírem presos da audiência. Na justiça comum, principalmente nos juizados, esta prática criminosa está começando a ser difundida, no rastro da enxurrada de ações pedindo danos morais. A melhor forma de pegar um mentiroso é com uma pergunta que esteja fora do script decorado. Outro dia, já no final de uma audiência, eu via que a estória estava mal contada, mas não havia nenhuma contradição nos depoimentos. Foi então que me ocorreu que a suposta vítima havia dito que tinha saído do local do fato junto com a testemunha que estava prestando depoimento, e que, juntas, haviam tomado o mesmo ônibus. Pedi ao juiz que perguntasse à testemunha como ela havia saído do local do fato e a mesma respondeu que tinha tomado um táxi para ir para casa!!! Ôpa, alguém estava mentindo. O juiz confrontou os depoentes, repetiu as perguntas, pediu mais detalhes e ficou claro que a testemunha nem havia estado no local do fato.