Advogado do Diabo
O “Advogado do Diabo” é um filme brilhante sobre a vaidade, com ator Al Pacino personificando o próprio diabo, numa magistral interpretação do papel de um advogado sem escrúpulos que comanda um grande escritório de advocacia atuando em defesa da máfia e outros criminosos. Acho que todos os advogados com um pouco de experiência já devem ter passado pelo conflito interior de estar ou não agindo dentro de princípios éticos e morais, não apenas jurídicos, mas principalmente sociais. Ou seja, você ficaria com a consciência tranqüila ao defender um criminoso, mesmo sabendo de antemão que ele é efetivamente culpado? Vivi este dilema ainda quando era estagiário, ao ser encarregado de fazer cumprir na delegacia um habeas corpus, libertando um cliente que estava preso sob acusação de tráfico de drogas. Eu não conhecia o cliente e, pela versão apresentada na nossa defesa, estava convicto de que ele era inocente e que eu iria encontrar na delegacia um pobre coitado injustiçado. Qual não foi minha surpresa, porém, ao me deparar com um sujeito com uma tremenda cara de marginal, com pinta mesmo de bandido e ainda por cima arrogante. Se ele era mesmo culpado ou inocente nunca soube, mas confesso que minha determinação em seguir a carreira advocatícia naquela época ficou abalada, ao imaginar que poderia ter que passar o resto da vida defendendo criminosos.

