Oratória
Se há uma coisa que eu tenho dificuldade de fazer é falar em público. O coração dispara, a garganta aperta, as idéias se misturam, desaparecem... um terror! Encaro como um desafio, estou sempre tentando melhorar, mas o progresso é leeento. Como invejo os grandes oradores. Para manter acesa a esperança de que posso conseguir ser um bom orador lembro sempre o exemplo fantástico de uma grande figura: Mahatma Gandhi. Em sua autobiografia ele narra que, quando era advogado em início de carreira, na primeira vez que subiu na tribuna para defender uma causa simplesmente perdeu a voz, ficou sem fala, de tão nervoso que estava. Envergonhado, retirou-se da tribuna sem proferir uma palavra. Incrível que tenha se tornado a voz de toda uma nação na luta contra um grande império. Tenho um discurso pronto para justificar que na advocacia cível, onde atuo, a palavra escrita é muito mais importante do que a palavra falada, ao contrário do que ocorre na advocacia criminal. Na esfera criminal o advogado tem que, da tribuna, tentar convencer o júri das suas razões, enquanto que na área cível o advogado faz o recurso por escrito e só sobe na tribuna para tentar influenciar e mudar uma decisão que já foi previamente pensada e estabelecida. É muito raro acontecer de uma boa oratória influenciar efetivamente no julgamento do processo. Mas, de qualquer forma, uma coisa eu tenho em mente: o advogado deve sempre estar preparado para falar a palavra certa na hora certa. Ainda bem que para que isto aconteça não é necessário ser um grande orador.

